
EXPEDIÇÃO EXPLORAMERICA
UMA VOLTA AO CONTINENTE


A EXPEDIÇÃO EXPLORAMERICA foi uma jornada de 3 anos cruzando a América do Sul de forma autêntica, intensa e completamente fora do roteiro tradicional. Idealizada por Talles Kril, CEO da Pegando Viagem, a expedição nasceu da vontade de explorar o continente em sua essência: viajando devagar, DE CARONA, conectando com pessoas, culturas, paisagens e histórias reais.
Ao longo da estrada, foram percorridos 10 países sulamericanos, passando por paraísos naturais, cidades históricas, vilarejos isolados, montanhas, desertos, florestas e fronteiras culturais que revelam a verdadeira diversidade do nosso continente. Mais do que uma viagem, a EXPEDIÇÃO EXPLORAMERICA se transformou em um estilo de vida nômade, baseado em liberdade, simplicidade, conexão humana e experiências profundas.
Durante a expedição, milhares de quilômetros foram documentados através de fotografias, vídeos e relatos publicados nos perfis @eokril e @pegando.viagem do Instagram, compartilhando não apenas destinos incríveis, mas também os bastidores da estrada, os desafios, os encontros inesperados e as infinitas histórias vividas ao longo do caminho.
A EXPEDIÇÃO EXPLORAMERICA representa a busca pela verdadeira essência de viajar: explorar além dos mapas, viver o desconhecido e mostrar que a América do Sul é um dos continentes mais ricos do mundo em cultura, natureza e humanidade.
ALGUNS LUGARES MARCANTES DA EXPEDIÇÃO
























DIÁRIO DE MOCHILA
FRONTEIRAS
Existe algo engraçado em cruzar uma fronteira de carona, você não sabe quem vai parar, quanto tempo vai levar ou onde vai dormir naquela noite. Durante a Expedição Exploramérica, atravessei muitas fronteiras assim: com uma mochila nas costas, o polegar estendido e uma placa improvisada apontando para o próximo destino.
A cada carro que parava, um desconhecido se tornava parte da minha história.
Alguns me levaram poucos quilômetros, outros atravessaram cidades inteiras comigo, tive conversas que duraram horas, aprendi palavras em outros idiomas, conheci músicas novas e ouvi histórias de pessoas que provavelmente nunca mais encontraria. E então vinha a fronteira, documentos nas mãos, algumas perguntas, aquela burocracia cansativa... Do outro lado, tudo se transformava, a estrada, o céu, as montanhas, mudavam as placas, a moeda, a cultura, mas algo sempre seguia igual, as pessoas. Depois de cruzar tantas fronteiras, percebi que as linhas que dividem os países são muito mais fortes nos mapas do que na estrada, talvez viajar seja justamente isso: descobrir que o mundo é enorme, mas que somos muito mais próximos uns dos outros embora estamos geograficamente distantes.
PESSOAS
Durante muito tempo eu achei que viajar era uma coleção de paisagens, quanto mais montanhas, vulcões, desertos e praias eu conhecesse, mais rica seria a experiência. No início da Expedição Exploramérica eu carregava uma lista enorme de lugares que queria conhecer, parecia uma competição silenciosa contra o mapa.
Mas um dia tudo mudou. Era uma cidade pequena, dessas que ninguém coloca no roteiro, depois de caminhar por horas procurando um lugar para montar a barraca, um senhor percebeu que eu estava viajando sozinho, sem falar muito, apenas apontou para o quintal da própria casa e disse que eu poderia dormir ali. Aceitei. Naquela noite jantei com a família. Não existia luxo. A mesa era simples, a comida era simples, porém maravilhosa, a conversa acontecia misturando português, espanhol, mímicas e muitas risadas. Eles queriam saber como era o Brasil, eu queria entender como era viver ali. No dia seguinte, antes de partir, me entregaram algumas frutas para a estrada e desejaram boa viagem como se estivéssemos nos despedindo de um velho amigo.
Quando voltei a caminhar percebi uma coisa curiosa. Eu não conseguia lembrar exatamente de como era aquele lugar, mas lembrava perfeitamente do sorriso daquela família. Foi naquele momento que entendi que a viagem nunca foi sobre lugares, os lugares são apenas o cenário, o que realmente permanece são as pessoas que atravessam o caminho e deixam um pedaço delas dentro da mochila.
Desde então, sempre que alguém me pergunta qual foi o lugar mais bonito que conheci, eu penso primeiro nas pessoas antes de responder. Talvez seja esse o verdadeiro destino de toda viagem.




Existe uma pergunta que escuto com frequência. "Qual foi o lugar mais bonito que você conheceu?" Durante muito tempo eu tentava responder com o nome de uma montanha, de um lago ou de alguma praia escondida no mapa. Hoje é diferente. Porque beleza é uma palavra pequena demais para explicar o que alguns lugares fazem com a gente, alguns destinos impressionam pelos olhos, outros permanecem porque mudam alguma coisa por dentro. Há lugares que não tinham nenhuma paisagem extraordinária, ruas simples, casas antigas, céu comum. Ainda assim, sempre que fecho os olhos, volto para eles. Não pela geografia, mas pela sensação.
Pela calma de caminhar sem pressa, pelo cheiro do café escapando das janelas, pelo som distante de crianças brincando, pela luz do fim da tarde pintando tudo de dourado.
Viajar me ensinou que um lugar nunca é feito apenas de geografia, ele é feito de cultura, daquilo que sentimos quando estamos ali. É curioso pensar que o mapa registra coordenadas, altitudes e fronteiras, mas não registra o silêncio que existe no alto de uma montanha, não registra o frio de uma madrugada dentro da barraca, não registra a paz de observar o mar sem dizer absolutamente nada.
Alguns lugares passam por nós, outros nos atravessam. E talvez seja por isso que, mesmo depois de milhares de quilômetros, eu nunca tenha sentido que estava colecionando destinos, eu estava colecionando versões de mim mesmo, porque toda vez que um lugar nos transforma, uma parte dele continua viajando conosco, mesmo quando a estrada termina.
LUGARES




SOLITUDE
Me lembro como era tudo antes de colocar a mochila nas costas e viajar sozinho. Achava que a solidão seria um vazio. Imaginava dias silenciosos demais, refeições sem conversa e quilômetros de estrada acompanhados apenas pelos meus próprios pensamentos. Em parte, eu estava certo, a estrada realmente é silenciosa. Mas descobri que existe uma enorme diferença entre estar sozinho e sentir-se sozinho. Foram justamente os dias em que caminhei sem ninguém ao lado que comecei a escutar coisas que o barulho da rotina escondia, o vento passando pelas árvores, o som das botas sobre a terra, o ritmo da própria respiração, a ansiedade diminuindo conforme os quilômetros aumentavam. Viajar sozinho me obrigou a conviver com alguém que eu conhecia muito pouco. Eu mesmo, sem distrações, sem compromissos, sem personagens para interpretar. Apenas eu e a estrada. No começo foi desconfortável, depois virou liberdade. Existe algo curioso na solitude, ela não afasta as pessoas, pelo contrário, q uando você aprende a apreciar a própria companhia, passa a encontrar o outro de uma maneira muito mais verdadeira, cada conversa deixa de ser uma necessidade para preencher o silêncio e passa a ser um encontro genuíno. Talvez por isso eu nunca tenha conhecido tanta gente quanto durante uma viagem em que estive, na maior parte do tempo, sozinho.
A solitude abriu espaço para as conexões, hoje continuo apreciando boas companhias, mas já não tenho medo dos dias em que caminho apenas com minha mochila, porque aprendi que algumas das conversas mais importantes da vida acontecem em silêncio, e quase sempre, no meio da estrada.


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